Pelas ruas da minha cidade,
nos jornais do meu país,
nas Notícias e Debates de todos os canais de televisão e estações de rádio portuguesas,
satura-me o assunto:
ABORTO – A Favor ou Contra? Liberalização ou Não?
Ao abrigo do, suposto, esclarecimento para o Referendo que se irá realizar dia 11 de Fevereiro, as entidades, que se designam, informadoras estão apenas a proporcionar DESINFORMAÇÃO (intencionalmente, na minha opinião).
Ou porque, consideram os cidadãos portugueses, seres estúpidos, desprovidos de raciocínio próprio e da liberdade de reflexão, fomentando o culto da vergonha, vulgarmente, disfarçado de sentido de responsabilidade, ética e valores (sabemos muito bem que uma pessoa responsável, com ética, com valores, preocupa-se realmente com os outros, respeitando e promovendo a liberdade e dignidade de cada um, e não os seus caprichos opiniosos) ou porque, francamente, o conhecimento explícito da Língua Portuguesa, a nível geral, está moribundo.
A questão que vai ser referendada é a seguinte:
"Concorda com a DESPENALIZAÇÂO da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"
Que esta questão degenerasse em: Despenalização, sim ou não? Ainda toleraria.
Mas degenerações do tipo: A favor ou contra o aborto?! Por favor!!!
Se as entidades informadoras fossem realmente honestas, o que se discutiria nas ruas, nos jornais, na televisão e estações de rádio seria:
Uma mulher que aborte voluntariamente, nas primeiras 10 semanas de gestação, deve ser sujeita a julgamento e cumprimento de pena?
Uma mulher que aborte voluntariamente, deve ser presa?
Todas as mulheres que já abortaram voluntariamente, nos últimos 10 anos, devem ser presas?
Estima-se que, em Portugal, ocorram entre 16 a 20 mil abortos clandestinos, anualmente. Temos, então, 16 a 20 mil criminosas no nosso pais, a monte?
Se a nossa sociedade fosse mais sincera, menos hipócrita, e mais preocupada em construir soluções, eficazes e reais, de apoio social, privilegiando a dignidade da vida humana, a sua formação e valorização enquanto Pessoa, parece-me, que não faria, sequer, sentido referendar esta questão.
Cidadãos responsáveis e democratas, PROCURAM SOLUÇÕES para os problemas, não perdem tempo a erguer muros para os rodear.
O aborto voluntário existe, clandestinamente, mas existe.
A lei de penalização não soluciona este problema.
A APF apresenta 9 razões para despenalizar o aborto, as quais eu subscrevo.
Sou mulher, sou mãe, não condeno nenhuma mulher que tenha passado por esta situação, lamento, sim, que esta sociedade não proporcione alternativas.
Dia 11 de Fevereiro teremos a oportunidade de mudar o rumo deste flagelo social.
Etiquetas: aborto, referendo